Vocês são LUZ nesta favela

São Paulo, Favela do Moinho. Missionários e missionárias membros do Movimento Aliança de Misericórdia, fizeram a escolha de morar em um dos inúmeros barracos desta favela que é uma das mais tristes realidades de pobreza do Centro de São Paulo.

Na Favela do Moinho, a pouco mais de 1 km do Sambódromo e de luxuosos hotéis da Capital, os moradores se aglomeram em barracos de madeirite e papelão, convivendo com o lixo, a poeira e perigos diversos. A favela está encravada entre dois conjuntos de linhas de trem e abriga ainda ruínas de um prédio de 6 andares, completamente deteriorado, onde “vivem” centenas de moradores. Miséria e sujeira são sinônimos para se identificar as vielas do local.

Os Missionários da Aliança chegaram ali em 2004. As casas que utilizam na favela não se distingue das outras centenas de “casas” da favela, exceto pelo crucifixo na porta. Se bem que por dentro, os poucos móveis, algumas caixas de frutas envernizadas, as paredes de madeirite recobertas com retalhos de tecidos florais e um quadro de Madre Tereza de Calcutá trazem dignidade ao barraco. Os missionários sentem que é preciso testemunhar com a ordem e a assepsia que, mesmo sem recursos financeiros, a vida da favela e de seus moradores pode ser mais digna.

O dia-a-dia é dividido entre momentos de oração, de vida fraterna e de apostolado, todos recortados pelas visitas constantes dos moradores. A pequena “Casa Belém” e a capelinha ao lado são um oásis para os moradores da favela. “Quando tenho vontade de usar crack, venho para a porta do barraco, e fico olhando a cruz na porta até a vontade acabar”, desabafa uma jovem. Os missionários organizam missões porta-a-porta, celebrações, grupos de oração, catequese e cuidam de cerca de 150 crianças em uma creche, criada no local. Mas é entrando na vida de seus vizinhos e recebendo-os para ouvi-los ou para dar-lhes uma palavra de consolo que os missionários conseguem tocar os corações de muitos. Aos poucos a palavra miséria, que permeia a vida e as mentes dos moradores do Moinho, é mudada por uma Luz de Misericórdia.

Certo dia, uma moradora do local, adentrou o barraco dos missionários com fuxicos, florzinhas feitas de retalhos, e cola nas mãos. “Vim decorar a casa de vocês (…)”, disse empolgada. E colou um a um, os fuxicos na parede do barraco formando com eles a palavra “LUZ”. “Vocês são luz para gente que mora aqui.Vocês são LUZ nesta favela. São LUZ em nossas vidas, por isso escrevi LUZ na parede de vocês.”  

Agora, a lembrança deixada por ela permanece ali para servir de testemunho aos próprios missionários. Para que se lembrem que descer nos bolsões de miséria para levar a LUZ de Deus exige sacrifício, mas os ilumina com a mesma LUZ que eles almejam levar.  A palavra na parede soma-se a outras, escritas em uma tábua de madeira, colocada sob a porta do barraco, de maneira que os missionários possam lê-la antes de deixarem a casa : “Daí-lhes vós mesmos de comer”.

Texto : Depto de Comunicação - Aliança de Misericórdia

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